Muito tem se falado em VR (Realidade Virtual) ultimamente. É a bola da vez da tecnologia… Ainda lembro quando comprei um óculos de VR em 1997, para jogar Quake 1, era o único jogo compatível, e a latência era péssima. A latência é uma das coisas que melhoraram muito nos óculos de VR de hoje, quanto mais baixa melhor. Latência, tecnicamente, é o tempo de resposta entre o input de um dado e a resposta para aquele evento, quanto mais alta a latência, mais lag, ou atraso na resposta a entrada de dados, e era esse o problema dos primeiros óculos de VR, quando você mexia a cabeça o lag fazia com que a resposta no game viesse com atraso, quebrando a sensação de realidade e geralmente causando cinetose, que é aquele enjôo e desorientação, é o mesmo tipo de enjôo que algumas pessoas sentem em viagens de ônibus ou avião. Mas com os avanços nos devices, com telas cada vez melhores e com mais resolução, aliado a baixa latência do sistema de tracking da cabeça, esses problemas estão cada vez menos presentes. Na GDC 2016 (Game Design Conference), David Luebke, o VP de pesquisa da NVIDIA apresentou um novo protótipo que deixa a possibilidade de causar náuseas quase nula, pois a latência é zero. Para se ter uma ideia do salto nesse quesito super importante, o Oculus Rift e HTC Vice rodam a 90 Hz, e isso já é muito baixo, mas o protótipo da NVIDIA roda a incríveis 1.700 Hz, isso promete entregar imagens sem rastros e muito semelhantes ao que nossos olhos e cérebro estão acostumados a receber e decodificar.

É de fato uma nova era para a Realidade Virtual, cheia de novas possibilidades, em um momento de ampla democratização na produção de conteúdo digital, com plena oferta de rigs de câmeras, engines de games capazes de suportar os devices… o céu é o limite, pois o ecossistema já existe para propiciar a disseminação dessa tecnologia, pois tanto a tecnologia quanto o conhecimento para desenvolvedores independentes criarem conteúdos já está aí, aliando a isso sites de crowd funding e até mesmo a industria pornográfica que já investe pesado nessa mídia, faz com que exista uma conjuntura propícia para a VR vingar de uma vez por todas.

Apesar dos grandes avanços, os devices ainda estão todos em desenvolvimento, e essa é a ultima barreira a ser transposta, além de caros, ainda não estão 100% prontos, o Oculus Rift é um projeto em desenvolvimento, comprado pelo Facebook o desenvolvimento está muito avançado e é a plataforma mais difundida, mas apesar de ser a plataforma sinônimo de VR hoje, ainda tem muito o que melhorar, e nem mesmo pode ser comprado pele consumidor final, hoje ele ainda é vendido apenas como kits para desenvolvedores testarem seus projetos e softwares. O Gear VR da Samsung, está fazendo um certo barulho atualmente ao ser vendido junto com o Smartphone da Samsung, o Galaxy S7, mas sua resolução ainda precisa melhorar, apesar de já ser excelente pro estagio atual de desenvolvimento e amadurecimento da VR. A Sony declarou que estará desenvolvendo o Playstation VR headset até o seu lançamento. A maneira mais fácil de experienciar a VR hoje é comprando online um Google Cardboard, que é um óculos dobrável de papelão em que você pode colocar seu smartphone e acessar conteúdos de VR, pelo Youtube ou outros Apps.

Muitas coisas vem às mentes da galera criativa, o que produzir para uma plataforma como essa? Como explorar essa mídia? Uma coisa que já deve ter passado pela cabeça de muita gente, pelo menos na minha já havia passado, inclusive já participei da pré produção de um projeto de VR + esportes radicais pela FLAG e The Kumite/Sant.a com o Bob Burnquist para Oakley, mas quão foda seria simular esportes radicais em Realidade Virtual? Algo que poucas pessoas tem capacidade física de fazer, ou mesmo por medo mesmo, não se aventuram… que tal escalar uma montanha, cheia de penhascos ingrimes com cenários estonteantes, tomar as decisões de onde apoiar a sua mão ou cravar sua picareta para transpor o próximo obstáculo, e chegar ao topo da montanha e ter a sensação de dever cumprido, e terminar descendo uma tirolesa de uma montanha a outra… pois é isso que a Crytek está desenvolvendo com o game The Climb, previsto para ser lançado em 2017. Nele o Game Designer Niklas Walenski descreve a ideia inicial como um experimento que deu certo, ele imaginou que o movimento intuitivo de escalar seria ótimo de simular em realidade virtual, e após criarem um protótipo se provou correto, o que fez com que a Crytek investisse em um game inteiro baseado na modalidade esportiva, com vários modos de jogo e competição. Não é a ideia mais original, mas parece estar sendo executada com excelência, além do que ideias que não se realizam, não passam de ideias…

Vale destacar que a FLAG já produziu uma expêriencia de VR com esportes radicais no fim de 2015, eu me envolvi na pré-produção e concepção do projeto.

Veja esses videos 360 graus do jogo e um making of dos cenários incríveis do game.

 

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